Conforme solicitação, fez uso da Tribuna Livre, a senhora Márcia Aparecida, mãe de um aluno da Apae da Lapa, dizendo que é mãe da Laís, que tem 19 anos, e quando ela nasceu o conforto foi com 4 meses chegar até a Apae, e chegando lá a tia Marli foi quem as recepcionou, pegou a menininha e ali as ajudou através de terapias, a criança também tinha um probleminha no coração e ficou entre a Apae e Curitiba, e essa foi a caminhada, um tempo feliz, mas de muita luta, com 4 anos ela estava super bem e a Apae incentivando e em Curitiba também com a síndrome de down em que participava no HC, e lá eles falavam da inclusão, estava com medo, mas com a Apae sempre dando apoio, ela foi pra inclusão na creche, não foi fácil no começo, porque a inclusão só quem passa sabe, tem o tempo da criança se adaptar e num lugar diferente é difícil pra ela e para os profissionais, mas ela conquistou e através da creche ela passou para a Escola Manoel Pedro e ficou até os 10 aninhos, ela estava super bem, mas infelizmente deu uma convulsão e naquela convulsão ela não parou mais de convulsionar, ela convulsionava dia e noite, ela teve uma convulsão refratária de difícil controle e nesse tempo a escola passou para a classe especial da Escola Passos Leoni, mas também era difícil, estava mais na escola com ela e com os professores do que em casa, então estavam pedindo a Deus novamente pra voltar na Apae, mas ela só poderia voltar com 15 pra 16 anos e nesse tempo eram lutas e lutas, ela teve muitas complicações, hoje em dia ela tem obesidade, venceu a Covid e ficou 23 dias na UTI com 140 quilos entre a vida e a morte, hoje em dia ela tem asma crônica e faz uso de muito medicamento, até o Canabidiol, então sabem da luta, ela quebrou os dois pés e ficou com botas ortopédicas porque não podia fazer cirurgia nos pés, até hoje ela tem os pés quebrados de medo da anestesia e não aguentar, então foi entre os hospitais do Trabalhador e HC, foi um tempo bem difícil, mas agora na Apae ela está feliz, e é o que quer pra filha, que ela seja feliz, lá tem estudo, tem os professores que amam as crianças, tem a filha com 15 anos e tem a senhora Cecília com 72 anos que é a mais velha, são 91 alunos, pra onde vão esses alunos se acabar a Apae, e os pais precisam também, porque é na Apae que encontram apoio, de estar junto com as mães, num artesanato que faz ou numa conversa, e as crianças e as mães do interior, o que vai ser deles, se eles vêm aqui na Apae pra trazer os filhos e ficam o tempo necessário pra poder fazer as correrias na cidade, voltar e ganhar um almoço na escola, por isso vão lutar e se Deus quiser a Apae não vai fechar, precisam dela, é casos e casos, entende que a inclusão é maravilhosa, mas é para quem realmente pode e consegue. Vive a vida um dia após o outro, não pensa no dia da amanhã e sim no dia de hoje, dela estar feliz hoje, o amanhã pertence a Deus com certeza, e todos merecem ser feliz, mas a medida que cada um consegue o seu ideal, e neste mundo em que se vive, ninguém sabe do dia de amanhã, qualquer um pode um dia precisar da Apae, que é um lugar que as pessoas são bem acolhidas. Com a palavra o senhor Rogério Cutacho, pai de ex-aluno, disse que a história com o filho que se chama Kasuak, começou no pré, ali na Cohapar, ele não se adaptou com as crianças e não sabiam que ele tinha o autismo no nível dois, como pai, não queria aceitar, ele não comia, ele fazia tudo na roupa, não sabia fazer nada sozinho, estava desfraudando ainda e de repente, ficaram com dó e tiraram ele, e a Secretaria de Educação os orientou, até fez uma ata, para que fosse colocado na Apae, porque lá ele iria conseguir falar melhor, pois ele tinha atraso na fala e não conseguia discernir muita coisa, e a Secretaria de Educação indicou a Apae, num primeiro momento não quis, e pensou do filho estar lá com tantas crianças que estão bem pior do que ele, queria que ele fosse num colégio normal, mas depois eles fizeram a cabeça de que ali era um lugar bom com psicólogo, com fono e com assistência social para os apoiar, e colocaram o filho com 4 anos ali na Apae e ele começou a ter desenvolvimento de cem por cento, e ficaram tão felizes porque ele começou a ter uma inteligência ali, a fono que ele tinha ali, que estava difícil de pagar, porque quem tem filho autista sabe que as terapias são muito difíceis e na Apae tinha todo esse apoio, até que chegou um momento que eles acharam que poderia passar novamente para a escola normal e ele ficou muito triste quando saiu, porque ele ama a Apae, lá ele aprendeu cem por cento do que ele era, hoje ele tem TDH também, foi diagnosticado com autismo e TDH, tem crises quando está no colégio normal com muita gente, na sala dele tem trinta alunos, ele muitas vezes entra em desespero e agora também está entrando em convulsão, até conversaram com a direção da Apae e eles falaram que se precisar a Apae vai acolher ele novamente, porque estão tentando que ele consiga e será uma alegria muito grande que ele consiga ficar na escola normal, mas se não puder, espera que as portas da Apae estejam abertas para que ele retorne novamente, fica feliz e parabeniza a Apae, porque foi cem por cento de aproveitamento para o filho, são essas as palavras e agradece a todos. Com a palavra a senhora Bernadete Ramos, Diretora da Apae, agradeceu ao Presidente da Câmara de Vereadores, aos demais Vereadores, aos membros presentes da diretoria da Apae, colaboradores, pais e responsáveis pelos alunos, bem como a comunidade em geral pelo espaço, para se posicionarem sobre a ação direta de inconstitucionalidade, ADI número 7796. Fará um breve resumo do que está acontecendo, porque muitas pessoas não estão sabendo. A ADI 7796, foi ajuizada no Supremo Tribunal Fderal pela federação brasileira de associações de síndrome de down que entrou com uma ação contra o Estado do Paraná, alegando que os convênios que as mais de 343 Apae's e outras instituições similares atendidas pelo Estado do Paraná, não recebessem mais recurso público para atender os alunos e que aconteça a inclusão total desses alunos no ensino regular, é um absurdo, mas é o que eles querem. Essa ação representa uma ameaça ao direito das pessoas com deficiência de acessarem uma escola especializada, pública, gratuita e de qualidade, ela tenta invalidar as Leis Estaduais números 17.656/2013 e 18.419/2015, que reconhecem e asseguram o apoio do Estado à educação especial, prestada por instituições filantrópicas como as Apae's, além disso ignora a realidade concreta de milhares de estudantes e famílias que por meio de avaliações técnicas escolhem o atendimento em escolas especializadas, pois essas instituições têm a capacidade de atender com eficácia as necessidades singulares de cada aluno, promovendo o desenvolvimento conforme recomenda a convenção dos direitos das pessoas com deficiência. As escolas especializadas são essenciais na garantia do direito à educação para pessoas com deficiência, elas possuem estruturas adaptadas equipe multiprofissionais capacitadas e metodologias diversificadas que atendem as necessidades específicas de cada aluno, essas instituições promovem o desenvolvimento integral, a autonomia e a cidadania plena dos alunos. A Constituição Federal e a convenção internacional dos direitos da pessoa com deficiência, reforçam a importância de garantir o atendimento educacional especializado, promovendo a inclusão, autonomia e desenvolvimento integral dessas pessoas. No Estado do Paraná, por exemplo, tem ações que fortalecem esse sistema de escolas especializadas, buscando a verdadeira equidade no acesso à educação, os alunos atendidos nas Apae's do Paraná recebem atendimento completo nas áreas de saúde, educação e assistência social, sendo um modelo para o Brasil e por que não para o mundo. Portanto, as escolas especializadas são fundamentais para assegurar que o direito à educação seja efetivamente realizado, respeitando a diversidade e as necessidades de cada aluno. A educação especial é um direito e as escolas especializadas fazem parte do sistema educacional, a inclusão se constrói com respeito, protagonismo e liberdade de escolha das famílias. Gostaria de destacar aqui que a Apae da Lapa completa neste ano 34 anos de atuação no Município, oferecendo serviços de qualidade nas áreas de educação, saúde e assistência social, na educação atende atualmente 147 alunos com cinco turmas de educação infantil, totalizando 25 alunos, sendo de zero a três anos e multianos de quatro e cinco anos, com seis alunos por turma e apoio, são oito alunos por turma, cinco turmas no ensino fundamental, totalizando 31 alunos distribuídos em oito alunos por turma e nove turmas na educação de jovens e adultos que é na EJA, modalidade de educação básica. Séries iniciais, totalizando 91 aluno, sendo 10 alunos atendidos por turma, todos com atendimento individualizado, professores especializados, materiais adaptados e metodologias diferenciadas, o objetivo é garantir uma educação de qualidade promovendo o desenvolvimento integral e a inclusão social dos estudantes. Então, o que aconteceria se essa Ação for aprovada, esses alunos teriam que voltar para o Município, pois atendem alunos de primeiro e segundo ano, e a EJA que atende alunos de 15 até 72 anos, até 18 anos o Município vai ter que dar conta, alguma coisa vai ter que ser feita, e os acima de 18 anos, então a preocupação é muito grande. E não poderia deixar de falar sobre o que a motivou a entrar na educação especial, que o Purga conhece bem, o irmão, e lembra com carinho da própria experiência como tia, na busca por uma escola especializada para as sobrinhas, que na época não existia no Município, felizmente elas puderam frequentar a Apae, que hoje é uma parte fundamental de suas vidas e que continua sendo uma fonte de alegria e desenvolvimento para elas, que já estão próximas dos 40 anos. Então, a Sandra e a Larissa foram as pioneiras da escola da Apae, naquele tempo, lembra que tinha 18 ou 19 anos e estava prestes a casar já, e não conseguiam achar uma escola pra Sandra, não tinha uma escola especializada e ainda bem que tinha a Oficina de Ideias, onde foi a escola que acolheu a sobrinha e graças a Deus com o passar do tempo, um grupo de pais fez uma movimentação e surgiu a Apae, e graças a Deus foi um alívio, uma escola acolhedora, um lugar acolhedor, que pudesse atender a necessidade dela e logo veio a outra sobrinha Larissa, a irmãzinha dela anos depois, que também nasceu especial e acolheram da mesma forma, e hoje elas estão lá felizes da vida, e como a Márcia falou, a menina dela já vai completar 19 anos, a vida deles é a Apae. Então, acredita que as escolas regulares do Município têm suas limitações para atender toda essa demanda e por isso são a favor de uma inclusão responsável, que respeita a particularidade de cada pessoa e não de uma inclusão radical que possa prejudicar o pleno desenvolvimento dos estudantes, e vão lutar todos juntos para o que querem não se concretize, pois seria um retrocesso na educação especial por isso finaliza pedindo apoio político com a letra do hino da pessoa com deficiência intelectual e múltipla, "se todos se unirem a força será bem maior, me dê a sua mão, pois a minha esperança é você", pois os alunos com necessidades educacionais especiais são a razão da existência da escola especial e eles têm o direito de estarem na escola, independente de suas lideranças, considerando a escola especial como um verdadeiro lugar onde a inclusão, a acessibilidade e o ensino aprendizagem realmente acontece. Com a palavra a Vereadora Camila Chefer Pierin, agradeceu o relato dos pais e da Diretora Bernadete, não tem como não se emocionar e se ver em nessas pessoas, e quando ouve essas pessoas contando de ter levado o filho pra Apae, e já mencionou aqui que também é mãe de uma criança que é aluno da Apae, e entregar o filho que cuida com tanto carinho, zelo e necessidades especiais pra alguém, é um desafio, mas quando chega na Apae e é tão bem acolhido e vê cada profissional com tanto amor e carinho, é um acolhimento que não tem palavras pra descrever, então vão lutar muito, isso não vai acontecer, não vão deixar isso acontecer, porque as crianças e famílias precisam da Apae, mas mais do que isso também, aproveita para falar sobre a grandiosidade desse grupo de pessoas que lutam incansavelmente, sejam funcionários que passam do horário trabalhando, trabalham voluntariamente em outros horários, para que a Apae aconteça, toda a Direção que não mede esforços no trabalho voluntário e gostaria de dizer que são uma inspiração para esta Vereadora, e se está aqui hoje é porque a motivaram, participando tanto como mãe de aluno quanto da Diretoria, não tem como ser diferente, tem que lutar pelas crianças que precisam do atendimento especializado e fica muito feliz que todos os Vereadores também sabem da grandiosidade e também apoiam e irão firmes pra luta, essa vai ser só mais uma luta que vai ficar na lembrança, e vão vencer mais essa com certeza. Com a palavra o Vereador Bruno Bux disse que é importante também assinar embaixo tudo o que a Vereadora Camila falou aqui, acredita que todos os Vereadores concordam em número, gênero e grau, em valorizar essa Direção que está aqui, a mãe deste Vereador é funcionária da Apae e está em casa assistindo emocionada, é só com luta que irão conseguir, então tem certeza que é só mais uma luta, mas vão vencer, e tem nove Vereadores junto com a Apae, Deus abençoe.